segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

capítulo 6/32

a publicação mais famosa, entre um grupo seleto de pessoas que habitam o imaginário de um certo rapaz, que não foi publicada, contém além de um guia prático para confeccionar um CD do AC/DC com apenas 3 latas de refrigerantes, um dicionário onde várias palavras são "desmitificadas" pelo certo garoto.
no pequeno dicionário, podemos saber o que significam as palavras vírus e viável, por exemplo. está lá, você pode conferir no seu exemplar, na sexta linha da página 32:
viável
palavra que deriva do latim via, caminho.
que pode ser percorrido; transitável; em que se pode abrir caminho; que não oferece obstáculo; que tem condições para viver, para produzir.
vírus
palavra que deriva do latim virus, virus.
agente infeccioso inerente a certas doenças contagiosas, sem metabolismo independente e com capacidade de reprodução apenas no interior das células hospedeiras vivas e cuja partícula individual é constituída por ácido nucleico e por uma camada protetora de proteínas; programa informático capaz de se reproduzir a si próprio e de se transferir de um computador para outro, e que pode danificar ou destruir informação e outros programas.
além disso, logo após o capítulo 32 do livro, que fala sobre o plantio de cebolas e sua relação com as angústias adventas da consciência humana em detrimento da mutabilidade de tudo, vêm o capítulo 6 3/2, que fala sobre a viabilidade da existência humana no planeta - o homem visto como um vírus, ou não.
embora falar sobre a questão do plantio de cebolas deixe feliz os produtores de cebola, que anos atrás foram motivo de chacota por terem anunciado ter obtido a resposta do porquê da maioria das pessoas se questionarem sobre sua felicidade.
é sobre o simplório capítulo 6 3/2 que falaremos hoje.
"Em boas condições de umidade, a velocidade de germinação das sementes de cebola aumenta linearmente com a elevação da temperatura na faixa de 6 a 32ºC, tendo como faixa ótima de 6 a 32ºC. Nesta faixa de temperatura, a porcentagem de germinação é máxima, assim como aumentam linearmente a taxa de crescimento da planta toda e a área foliar."

capítulo 6 3/2 - a suposta viabilidade, ou não-viabilidade, da suposta existência humana no planeta terra.

antes de abstrairmos conceitos mirabolantes acerca do tema, poderíamos tentar elencar alguns pré-conceitos mirabolantes sobre o tema, a fim de no final do capítulo, adicionarmos pós-conceitos sobre o tema, abordando o tema de forma concisa e onitemporal.

não é muito comum que discutamos a viabilidade da existência de musgo sobre uma rocha. a menos que você seja uma biólogo especializado no estudo de briófitas, a questão não parece fazer muito sentido para você. e mesmo assim, analisamos a questão sobre o ponto de vista do musgo, e não do ponto de vista da rocha.

a publicação que um dia será publicada mas ainda não foi publicada, conta também com um catálogo de todas as formas de vida existentes e inexistentes sobre a crosta de uma rocha chamada carinhosamente de "planeta terra". uma delas é o musgo.
os musgos são representantes do grupo das briófitas e como tal são desprovidos de vasos de condução e tecidos . são constituídos por caulóides, rizóides e filóides. são plantas criptógamas, ou seja, cripto = cripta, gamas = gametas, gametas são orgãos reprodutores, assim cripto gamas são gametas dentro de criptas, ou seja ², que possui o órgão reprodutor escondido, ou que não possuem flores. preferem viver em lugares úmidos (são dependentes da água para a reprodução, ou seja, sua vida é viável na água), e preferem lugares com sombra (umbrófitas). geralmente atingem poucos centímetros de altura justamente por não possuírem vasos de condução de seiva.
temos portanto o ponto de vista dos musgos quando a questão da viabilidade de sua existência sobre uma rocha.
eles necessitam viver em cima de rochas, especialmente as que situam-se um lugares úmidos e sombreados, pois assim sua vida é viável,ou seja, assim conseguem prosperar como musgo e "cumprir" seu dever de musgo. não conheço muitos musgos para dizer se isso é verdade ou não.


mas não pensamos sobre a questão da rocha, em outras palavras, ainda não obtivemos a resposta para a viabilidade da existência de musgo sobre uma rocha. um geólogo, poderia nos dizer muito sobre rochas. aliás, os geólogos já obtiveram muitos avanços estudando rochas, já conseguiram desenvolver até métodos para perguntar sua idade, que por sinal é 4.6 bilhões de anos.

assim como os humanos são macacos que não querem ser chamados de macacos, o planeta terra é uma rocha que não gosta de ser chamada de rocha. o planeta terra, gosta de ser chamado de planeta terra, assim, se considera um planeta e não uma rocha. nós humanos, assim como os musgos, vivemos sobre uma rocha e ainda é nossa rocha que viabiliza nossa existência. pois até agora, não há notícia de outro planeta que reúna as condições necessárias para existência de vida humana. mas ao contrário dos musgos, nós temos consciência, e com isso gostamos de refletir sobre coisas relacionadas a nossa existência, entre elas a viabilidade de nossa existência no planeta terra.

foi mais ou menos assim que aconteceu. primeiro não existia coisa alguma. então um cara de barba branca, fez tudo em 7 dias. mas pode ter sido assim que tenha acontecido. primeiro não existia coisa alguma. depois esta coisa alguma explodiu. formando o universo. fragmentos da explosão, formaram rochas. muitas dessas rochas viraram planetas, dentre eles a terra. para chegar à resposta desta questão, vamos até uma breve embromação.

muito tempo depois de surgir a terra, após bilhões de anos de evolução, a terra começou a andar com uma má influência, os humanos. no começo, muita gente achou uma boa idéia, inclusive uma boa parte considerava que a convivência humanidade-terra era a maior invenção do universo, desde a invenção do tempo. mas já vimos que o tempo não foi uma boa idéia e assim como o tempo, as pessoas perceberam que a amizade entre a humanidade e a terra não era uma boa idéia.

mas muitas pessoas não se preocuparam com o relacionamento com a terra e continuaram apenas vivendo, tratando a terra da mesma forma com que John Lennon tratou seus 3 amigos depois que conheceu a Yoko Ono. e a terra, assim como o restante dos Beatles, começou a reclamar.
a terra continua reclamando até hoje e durante a história poucos humanos se preocuparam com esta questão. alguns começaram se preocupando com isso, se auto denominaram filósofos, mas depois de uma preocupação inicial com esta questão, voltaram-se para outros tipos de perguntas, buscando resposta para perguntas que não possuem resposta.

para acrescentar mais informação desnecessária ao texto... no catálogo de espécies, temos um verbete relacionado ao humano. e no sexto parágrafo deste verbete, temos:

os humanos são parasitas intraplanetários obrigatórios. estabelecem com o planeta terra a mesma relação que um vírus estabele com o seu hospedeiro, com a ressalva de que o possuem somente um hospedeiro viável. o fato de possuírem apenas um hospedeiro viável, faz com que haja uma preocupação, em um pequeno grupo de humanos, com que o hospedeiro continue fornecendo elementos para que o parasitismo seja viável. assim este pequeno grupo tenta conscientizar o grande grupo de que algo precisa ser feito para que a relação com o hospedeiro seja viável.
enfim, a questão da viabilidade não nos é comum, talvez por isso que a maioria das pessoas não se preocupa com a preservação do planeta terra. entretanto, esta é uma questão importante, pois a terra é o único hospedeiro viável para a humanidade. e para isso, a humanidade deve degenerar-se, ou seja se tornar um vírus degenerado, que ao invés de parasitar o hospedeiro deve estabelecer com ele uma relação sustentável. senão, a vida no planeta terra ficará inviável.

[OFF] A libertação da Teologia

O nosso amigo uruguaio (cujo nome a minha idade não me pemite lembrar) perguntou minha opinião sobre a Teologia da Libertação.

Não vou me ater a considerações sobre o que é o tal movimento. Para isso existem a Wikipedia e outros amansa-burros digitais (longe de mim chamar os leitores, uruguaios ou não, de burros. Amansa-burro é uma gíria brasileira para "dicionário"). Veja o artigo wikipediano aqui.

Pois bem, o que penso sobre a Teologia da Libertação? Considero-a um movimento extraordinário. É louvável e aceitável mesmo por ateus e agnósticos, pois é uma corrente humanitária de pensamento e ação.

Uma das mais contundentes críticas que as Religiões e Igrejas costumam receber é que elas direcionam a mente das pessoas para um mundo intangível e pós-morte. Você vive aqui, neste mundo físico e palpável, mas as suas atenções e esperanças devem estar voltadas para o mundo imaterial. Logo, se você é católico, por exemplo, você deve aceitar o sofrimento, as tristezas e as limitações (inclusive fincanceiras) deste mundo com estoicismo, pois assim você será merecedor de grandes recompensas e tesouros no Reino dos Céus, onde você poderá entrar se cumprir os mandamentos dos judeus e as regras dos romanos.

Um dia, os idealizadores da Teologia da Libertação e movimentos similares começaram a se perguntar:

Peraí, que porra é essa? Se nós acreditamos em um Deus que é Amor, se pregamos um Reino de igualdade e justiça, temos que fazer a nossa parte para imitar esse Reino já aqui na Terra. Portanto, precisamos promover o amor, a igualdade e a justiça no mundo material, e não ficar de braços cruzados à espera de uma Salvação metafísica.

Assino embaixo.

Vários setores da Igreja latino-americana começaram a trabalhar na conscientização dos pobres para a sua condição de explorados. Padres, bispos, freiras e leigos militaram em prol do fim das ditaduras e das desigualdades sociais. Alguns clérigos chegaram até mesmo a se engajar nos movimentos de luta armada existentes nos seus países.

Uma das críticas que os "libertadores" recebem é que eles esquecem de Deus e só falam em política. E as pessoas vão à igreja querendo ouvir sobre Deus.

I mean: assistam ao filme "Romero", com o Raul Julia, e vocês vão saber do que estou falando.

Mas a Teologia da Libertação foi banida pelo Vaticano, seus líderes foram silenciados. Hoje, em tempos de neopentecostalismo, a Igreja voltou a receitar um Reino dos Céus analgésico, para livrar as pessoas das neuroses do dia-a-dia... Uma pena.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Após um hiato gigantesco...

O blog 32, apesar dos pesares, é cool, e como a maioria das bandas de Rock, sofreu um hiato que está prestes a ter um fim.

Guilherme e Eduardo Nunes não querem que a idéia morra, portanto vão manter o blog juntos e sozinhos.

Aguardem, dia 28:
"que tal falarmos sobre a viabilidade da existencia humana no planeta?
o homem é um vírus ou não? "

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Tratado de Gui

1. Existem duas grandes verdades na vida dos seres vivos. Eles nascem, e eles morrem.
1.1. Macacos são seres vivos. Logo, macacos nascem e macacos morrem.
1.2. Outra verdade é que, nascer é bacana, deveras supimpa; morrer, no entanto, é chato.
1.2.1. Nascer é bacana porque se não nascessemos, não viveríamos. E na vida podemos fazer diversas coisas legais, logo o que propicia isto deve ser algo extremamente bacana.
1.2.1.1. Viver, e através da vida fazer coisas legais, são para mim provas do Teorema sobre a legalzísse do nascer.
1.2.2. Morrer é considerado por mim, e pela maioria das pessoas, uma coisa chata, pois enquanto mortos não podemos fazer muita coisa, na verdade podemos fazer quase nada, e neste caso o quase nada que podemos fazer é permanecermos mortos.
1.2.2.1. Minha teoria sobre a chatísse da morte é, puramente teórica [really?], pois nunca morri para saber se é chato ou não.

2. Existem inúmeros tipos de macacos. Assim como existem inúmeros tipos de seres vivos.
2.1. Existe um tipo peculiar de macaco que não gosta de ser chamado de macaco, ele prefere palavras nominais do tipo, Homo Sapiens Sapiens, ou somente Homem.
2.1.1. O restante dos seres vivos e dos macacos, não preocupam-se com isso.
2.2. O Macaco em questão, considerando-se diferente dos outros, fica muito aflito ao ter consciência de quão chato é morrer.
2.2.1. Fica aflito em saber que os macacos que são próximos à ele, macacos esses que ele tem afeição, também morrerão.
2.3. Os restante dos seres vivos, inclusive o restante dos macacos não fica aflito, preocupam-se apenas em viver.

3. O macaco, consciente de sua efemeridade e ainda aflito com isso, busca uma salvação.
3.1. A salvação pode ser buscada de duas formas, por si ou por outro(s).
3.1.1. A busca de salvação por outro, ou outros, se dá ligando o macaco a algo transcendental, transcendental ao mundo, transcendental até ao entendimento do próprio macaco.
3.1.1.1. Comumente, chamamos a ligação com o transcendental de Religião.
3.1.2. Alguns macacos, procuram um outro tipo de salvação, procuram salvar-se por si mesmos.
3.1.2.1. A salvação por si, é chamada de filosofia.

4. Segundo um livro, escrito por aproximadamente 40 macacos, 7000 anos após os macacos começarem a praticar a agricultura e domesticar animais - abandonando progressivamente o nomadismo e assim tornando-se sedentários, fato que ficou conhecido com revolução neolítica, e marcou a passagem do período paleolítico para o neolítico - nasceu um macaco diferente, ele respondia pela alcunha de Jesus Cristo.
4.1 Porém o mesmo livro afirma que a idade da terra e do universo é algo em torno de 6000 anos, ou seja, 7000 anos antes disso não existia macaco para sofrer a revolução neolítica, o que é um tanto quanto incoerente. Portanto, trataremos tudo o que é relacionado ao livro e seus derivados como suposições.
4.2. Bom, o suposto macaco diferente, supostamente morreu para que o restante dos macacos fossem perdoados por não serem legais uns com os outros, isso não é muito importante agora, mas o acontecimento de 432 anos antes da sua morte sim.

5. 432 anos antes da morte de Jesus Cristo, um macaco que residia em uma comunidade chamada Grécia finalmente pensou, e assim "criou" a Filosofia.
5.1. Os macacos que curtiam e pensavam sobre Filosofia, eram então chamados de Filósofos.
5.1.2. Primeiramente os macacos filósofos, proporiam que eles não deveriam esquentar a cabeça com a morte, deveriam viver em plenitude, como unidade e apreciando a natureza do Cosmo.
5.1.3. Assim, temos nosso primeiro tipo de salvação, neste caso, a salvação se daria no fato de que após mortos a matéria "viveria", eternamente, como unidade no Cosmo.
5.1.4. Com isso, os macacos não deveriam se preocupar com a morte, pois a morte não é o fim, é apenas uma fase de transição. Enfim, nossa existência não acaba, apenas muda.
5.1.5. Fazer parte do Cosmo não era algo lá tão reconfortante, ou ainda, algo para que se valesse a pena morrer.

6. Já foi introduzido anteriormente que um certo livro afirma, que um suposto macaco supostamente diferente, supostamente nasceu de maneira peculiar. Supõe-se que ele nasceu de uma virgem, e de alguém ou algo popularmente conhecido como Deus.
6.1. É suposto que o pai do macaco pode fazer tudo, está em todo o lugar e sabe tudo. Supostamente, esta é uma bela explicação para o fato dele ter engravidado uma virgem, e também ter criado TUDO.
6.2. O suposto macaco diferente não queria ficar atrás de seu suposto pai, então ele resolveu salvar os outros macacos da morte.
6.2.1. Com isso, o suposto Jesus prometeu um grande tipo de salvação: vida eterna.
6.2.2. Enquanto os gregos prometiam uma eternidade sendo apenas matéria no Cosmo, o suposto filho do suposto Deus prometeu uma vida eterna, para isso os macacos supostamente deveriam ser bons em vida terrena, para que após a morte, supostamente subissem aos céus e supostamente vivessem para sempre ao lado de Deus.
6.2.1. Ou seja, os macacos não devem se preocupar com a morte, devem apenas viver sua vida, sendo fiéis ao suposto Deus, para que após a morte, vivam em paz a vida eterna que lhes é entregue pelo suposto Deus.
6.2.2. Além de prometer algo que é realmente tentador até para o macaco mais descrente, junto com a salvação, Jesus e o suposto livro avisam que os macacos maus vão ter uma vida de sofrimento em lugar terrível, o inferno.
6.3. É de suma importância que ressaltar que a base do cristianismo, é a Fé, é acreditar em algo sem ter provas. Só tendo fé em Deus, os macacos obtém vida eterna.

7. Foi com fé que a religião venceu a Filosofia.
7.1. Prometendo mais e melhor.
7.2. E por muitos anos as religiões foram se disseminando pela geosfera. E a filosofia foi perdendo muito espaço se comparado ao desenvolvimento que teve outrora.
7.2.1. Por muitos anos, a filosofia então permaneceu em estado de dormência, enquanto a religião detinha todo o conhecimento produzido pelos macacos através dos anos.
7.2.2. Este período ficou conhecido nos livros de história que os próprios macacos escreveram posteriormente como "Idade Média" ou "Idade das Trevas".
7.3. Foi o grande período onde a salvação proposta pelas religiões, principalmente a Católica triunfou.
7.4. O quadro mudou apenas na segunda metade do século XVIII, com o Iluminismo.

8. O Iluminismo foi um grande marco, pois neste momento os alguns ínfimos macacos voltaram a pensar.
8.1. Após anos sofrendo de microcefalia aguda, poucos macacos não somente resolveram resgatar a filosofia greco-romana como a desenvolveram ainda mais, fazendo a chegar a níveis nunca antes imagimáveis.
8.1. Neste momento valorizou-se principalmente a razão como ferramenta para explicar a vida, universo e tudo mais. Em detrimento da fé.
8.2. A partir daí, a salvação filosófica ganhou varias caras.
8.2.1. Alguns macacos proporam que os macacos poderiam adquirir conhecimentos seguros e universais, e ter absoluta certeza disso. Com isso, dariam sentido a sua vida, compensando assim a morte.
8.2.2. Outros, pensaram que deveriam ter duvida de que seja possível um conhecimento firme e seguro. Assim, a própria razão da vida e da morte, não seriam concretas, seria mutáveis. Durante a vida deveriam então, aceitar verdades até que elas fossem provadas falsas, rumando para uma verdade, mas com consciência de que não a alcançarão. Viver buscando verdades mais refinadas, amenizaria a dor da morte e traria mais entendimento sobre a vida.
8.2.3. Outros ainda, negam a existência de uma verdade absoluta e defende a idéia de que cada indivíduo possui sua própria verdade. Assim, cada macaco através da sua interpretação da realidade, daria significado a sua existência, e obteria uma salvação da morte. Pois, sua vida valeria a pena de acordo com o seu próprio entendimento de vida.
8.2.4. Enfim, temos aqueles que defendem a existência de uma verdade absoluta, mas pensa que nenhum de nós pode chegar a ela senão que chegamos a uma pequena parte. Cada macaco tem uma visão da verdade. Esta seria uma confluência de alguns fatores existentes nas outras facetas da salvação filosófica. Aqui os macacos tem certeza que tudo o que lhes resta é viver sua vida da melhor maneira possível, buscando verdades, mas tendo consciência de que chegar a verdade absoluta é impossível, fato que não tira a beleza da busca.

9. Em suma, temos duas abordagens bem distintas. Duas formas de lidar com a questão da efemeridade da vida dos macacos.
9.1. De um lado a religião, baseada na fé, em acreditar sem ter provas, acreditar muitas vezes por não compreender o funcionamento de fenômenos.
9.1.1. Além disso, uma postura crente ameniza o sofrimento e a angústia do viver, pois ela te dá uma certeza. A certeza de uma recompensa justa, que é oferecida por Deus. É uma postura confortável e segura.
9.1.2. Ficando claro que trata-se de uma salvação por outro, uma salvação transcendental e sobrenatural.
9.2. De outro lado, temos a filosofia e a "eterna-enquanto-dure" busca pelo bulbo da cebola, a busca por entendimento.
9.2.1. Parte-se da hipótese de que a morte é o fim de tudo. Portanto, tudo o que temos é a vida.
9.2.1.1 Assim, devemos nos preocupar apenas em viver. E a melhor proposta é viver buscando entender o viver, buscando saber o escopo de tudo, para sempre poder dar mais base a hipótese do fim. E assim, obter a salvação antes mesmo de morrer, uma salvação simples, salvação através do entendimento.
9.2.2. O entendimento é conquista por si, no momento em que temos consciência da mutabilidade de tudo e de todos.
9.2.3. Está consciência para mim é a beleza da vida, enfim, é para isso que quero viver.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

QUANDO O FENÔMENO RELIGIOSO DERIVA EM ÉTICA:

Carta do Chefe Seattle (1855):

O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra.


O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas - elas nunca empalidecem. Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los?


Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho.


Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos das Campinas, o calor que emana do corpo de um cavalo, o homem - todos pertencem à mesma família.


Portanto, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em onde possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto vamos considerar a sua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, não. Porque esta terra é para nós sagrada.



Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendemos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar da água é a voz do pai de meu pai. Os rios são irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas cargas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.


Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecida a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra, e seu irmão - o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelhas ou miçangas reluzentes.



Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto. Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento ao homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. O barulho parece insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo o pinheiro. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe seu último suspiro. E se te vendermos a nossa terra, deverás mantê-la preservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.



Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que nós, os índios, matamos apenas para o sustento de nossa vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais logo acontece ao homem.


Tudo está relacionado entre si. Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de teus pés são as cinzas de nossos antepassados. Para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios. De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence a terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a teia de vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer a ela, a si próprio fará.

RELIGARE


Afirmam os religiosos e os filólogos que o termo RELIGIÃO vem de RELIGARE, re-ligar, unir de novo o que foi separado. No caso (e aqui apenas os religiosos continuam especulando, pois os filólogos saíram pra beber e inventar trocadilhos engraçadinhos), trata-se de unir de novo o humano e o divino, o terreno e o celestial, o material e o imaterial, o concreto e o místico. Um belo conceito, devo dizer. Si non è vero, è bene trovato.

Quando crianças, aprendemos que existe um Papai do Céu de barba branca, que usa vestido e ouve tudo que dizemos, vê tudo que fazemos (mesmo quando apagamos a luz do banheiro), conhece de cor o nosso passado e, pasmem, o nosso futuro. Aprendemos que esse Papai do Céu é muito bondoso e compreensivo, mas não hesitará em nos jogar no fogo eterno se ousarmos perder a missa, comer carne na Sexta-feira Santa ou espiar as meninas tomando banho de sol. Sim, um cretino, mas que dá todas essas ordens para o nosso bem.

Depois que crescemos, ficamos orgulhosíssimos da nossa genialidade ao dizer em alto e bom som que não acreditamos em Deus e que o Altíssimo, seu Filho e toda a Corte Celestial são: a) uma invenção do sistema opressor para alienar as cabecinhas ocas do proletariado e perpetuar a opressão; ou b) uma artimanha deveras lucrativa de um bando de matutos que tiram até o último centavo das pobres viúvas em nome de Deus. E nós, que desmascaramos os farsantes, somos muito espertos!

Será?

Sim, há instituições religiosas que colaboram para legitimar a exploração do homem pelo homem. É um argumento excelente dizer aos pobres que eles devem suportar o seu sofrimento e, mais que isso, ter orgulho da própria pobreza, para merecer a Salvação Eterna.

Sim, há instituições religiosas que lucram com a fé e o desespero das pessoas simples de coração. Há padres católicos que vivem como príncipes nababos às custas das doações. Há aviões que sobrevoam o país com malas cheias de dinheiro de ofertas e dízimos pagos a lobos travestidos de pastores.

Mas a nossa investigação do conceito de religião deve ser menos ingênua, mais radical e mais profunda. É perigoso ou pretensioso fazer afirmações universalizantes baseadas em casos particulares.

Para começo de conversa (sim, estamos apenas começando, leitor... mas você terá que ler até o fim se quiser ir para o céu), seria interessante perguntarmos: se a religião é só um mecanismo de controle ou um negócio rentável, por que raios os bilhões de fiéis mordem a isca ao invés de irem fazer um monte de coisas prazerosas e proibidas?

E a resposta, não é novidade, é: porque o homem é mortal.

Em algum lugar da sua caminhada evolutiva (seja ela resultado de um boneco de barro criado por Deus ou produto do egoísmo dos genes), o Homo sapiens deu-se conta da própria mortalidade. E entrou em desespero.

Depois de alguns suicídios (ainda não tinham inventado a Psicanálise e nem a Auto-ajuda), o fim da vida passou a ser visto como o começo de uma nova vida: a vida após a morte. O homem, esse egoísta incorrigível, não se conforma com a morte. Ele quer continuar vivendo. De preferência, em um Paraíso com rios de vinho e virgens à disposição. A religião, ao prometer a vida eterna, veio ao encontro dessa necessidade do homem de vencer a morte.

Além disso, o surgimento da racionalidade levou o homem a perguntar não apenas como ou onde, mas também por quê. O senso comum e a "ciência" nascente responderam algumas dessas questões, mas de repente se começou a buscar respostas para o maior porquê de todos: o porquê da Vida, o porquê da Morte, o porquê de Tudo.

A Religião foi apenas uma das respostas para essa pergunta. O místico surgiu como uma tentativa de explicação do que ainda não foi explicado - e talvez nunca venha a ser. O homem passou a supor e depois passou a crer em entidades imateriais, sobrenaturais, divinas. Seres superiores que criaram tudo que existe e que, de vez em quando, interferem no destino das coisas criadas, só de sacanagem. Agradar esses seres passou a ser uma obrigação, para obter a bênção divina. E assim surgiram as preces, as cerimônias, as cosmogonias, as danças rituais e, claro, as guerras santas.


O fenômeno religioso, essa tentativa de conexão com o imaterial, está presente em todas as culturas. Todos os povos do mundo têm seus deuses, seus orixás, seus kamis, seus cultos, seus karmas. Os marxistas fingem que não participam disso mas adoram o Partido, quando ninguém está olhando.

Essas buscas por contato com o transcendente nem sempre são alienantes ou exploratórias. Pessoalmente, acho linda a religiosidade dos povos indígenas americanos, a sua busca de contato com o cosmo, o culto e o respeito à natureza como forma de comunhão com o universo. É uma manifestação do fenômeno religioso que deriva em uma Ética do cuidado e do amor. Algo tão em falta na nossa sociedade decadente e auto-destrutiva, mas que ainda se orgulha da própria auto-suficiência e do próprio ateísmo.


Em tempo: quando preencho algum questionário, respondo “Agnóstico” no campo entitulado “Religião”.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

ABANDONO...

Todos abandonaram esse blog, que coisa...
valeu a tentativa Gui, mas acho q começamo com o pé errado...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Religião.....

Um assunto que sempre esteve em pauta no decorrer das civilizações e da história como um todo....
E sempre foi responsável por muitas guerras e batalhas, que em muitos, para não dizer todos, possuem motivos políticos ocultos....
O maior exemplo que temos desses conflitos estão presentes no oriente médio que tras consigo uma histórica tendencia a guerras... motivo: religião...
Porém ve-se nos últimos dias que o novo papa, o cardeal Joseph Alois Ratzinger, está querendo trazer essa guerra a todo o mundo... está tentando fazer com que todas as religiões briguem entre si... porém eu acho que estamos nos encanminhando para uma guerra entre a igreja católica e todas as outras religiões, é o que parece depois de ouvirmos as declarações de Ratzinger....
Mas fodam-se as batalhas, vou fala um pouco do que eu acho que é a relilgião...


Religião: Entidade com fins lucrativos que visa alienar a cabeça das pessoas, na sua maioria pobres, com idéias idiotas de vida eterna, salvação da alma, de que existe um ser superior que ouve suas preces e as atende quando essa pessoa é seguidora daquela religião em específico. Além de fazer todo o possível para que novos membros se agreguem a essa "comunidade".

bom acho que é isso...

sábado, 14 de julho de 2007

definição do 32

Mostrei o blogue a um amigo e ouvi a seguinte definição:

"Parece um fã-clube do Dawkins."

Isso serve para todos nós sabermos que de vez em quando é bom virar o disco.

(e isso foi uma crítica e auto-crítica construtiva)

Um abraço.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Tema remanescente.

Religião.


Aborde o tema da maneira que bem entender.


Como o feedback anda escasso, vamos deixar os temas anteriores em latência.
Toda postagem nova é bem vinda. Se não postou sobre algum tema, poste!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Perhaps Love

"Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar", escreveu Wittgenstein no final do Tractatus Logico-Philosophicus (depois disso, ele largou a Filosofia para virar professor primário e depois jardineiro, pois acreditava ter resolvido todos os problemas filosóficos dignos de consideração).

Com essa injunção ao silêncio, o nosso bom filósofo quis dizer que certos termos escapam à nossa capacidade lingüística de definição e conceituação. No decorrer do Tractatus, Wittie mostra o que pode e o que não pode ser dito com pretensão de certeza. E esclarece que há coisas, entre elas o Amor, sobre as quais não podemos falar sem cairmos no achismo, na logorréia e/ou no hegelianismo.

De fato, é muito difícil responder a pergunta "O que é o amor?"

Aventurando-me a dizer o indizível, arrisco o palpite de que o Amor é uma construção cultural, um lampejo de superação da animalidade. O homem e sua mania de sofisticar a Evolução.

Esclarecendo:
"O homem não é o único animal que faz sexo, mas é o único que precisa de manual de instruções". (Luis Fernando Verissimo)


Gui e outros dawkinianos dirão que o amor é uma armadilha dos genes opressores para estimular a perpetuação da espécie human... digo, a perpetuação deles próprios. Os genes talvez não tenham previsto o desenvolvimento da psiqué. O homem e sua necessidade de completude.

O Amor surge então como uma expressão desse sentimento de incompletude, uma necessidade de sentir-se pleno, aceito e querido. Dar um pouco de si para receber um pouco do outro, dois inteiros imperfeitos que se fundem num todo uno e pleno. Algo que Platão expressou tão bem, como vocês podem acompanhar logo abaixo, no post do Wilhelm.

Mas eis que caímos, Platão e eu, no erro denunciado por Wittgenstein. Estamos tentando falar do que não pode ser dito com pretensão de certeza. Ou seja, a chance de estarmos falando a verdade é a mesma chance de os astrólogos acertarem a sua leitura dos astros.

Então, farei o que eu tinha dito para o Gui, antes de ele me plagiar, e direi que os únicos com autoridade para falar de amor são os poetas (e isto sim Wittgenstein aprovaria).

Segue, abaixo, a mais bela descrição do Amor que já encontrei na Literatura:



O Mundo Anda Tão Complicado

Renato Russo

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor





(em tempo: estou amando. e é tão bom...)

humanamente adaptados, adaptada mente humana

Quando li o texto do Marcelo lembrei na hora da famosa citação do Pinker, segue abaixo:

"Mas e quanto ao imperativo darwiniano de sobreviver e reproduzir-se? No que concerne ao comportamento cotidiano, não existe esse imperativo. Há quem fica assistindo a um filme pornográfico quando poderia estar procurando um parceiro, quem abre mão de comida para comprar heroína, quem posterga a gestação dos filhos para fazer carreira na empresa, quem come tanto que acaba indo mais cedo para o túmulo. O vício humano é prova de que a adaptação biológica, na acepção rigorosa do termo, é coisa do passado. Nossa mente é adaptada para os pequenos bandos coletores de alimentos nos quais nossa família passou 99% de sua existência, e não para as desordenadas contingências por nós criadas desde as revoluções agrícola e industrial. Antes da fotografia, era adaptativo receber imagens visuais de membros atraentes do sexo oposto, pois essas imagens originavam-se apenas da luz refletindo-se de corpos férteis. Antes dos narcóticos em seringas, eles eram sintetizados no cérebro como analgésicos naturais. Antes de haver filmes de cinema, era adaptativo observar as lutas emocionais das pessoas, pois as únicas lutas que você podia testemunhar eram entre pessoas que você precisava psicanalizar todo dia. Antes de haver a contracepção, os filhos eram inadiáveis, e status e riqueza podiam ser convertidos em filhos mais numerosos e mais saudáveis. Antes de haver açucareiro, saleiro e manteigueira em cada mesa, e quando as épocas de vacas magras jamais estavam longe, nunca era demais ingerir todo o açúcar, sal e alimentos gordurosos que se pudesse obter. As pessoas não adivinham o que é adaptativo para elas ou para seus genes. Estes dão a elas pensamentos e sentimentos que foram adaptativos no meio em que os genes foram selecionados."

terça-feira, 10 de julho de 2007

Há?

O sentido da vida já foi especulado pelas mais diversas áreas do conhecimento. Mesmo em uma época mais arcaica do intelecto humano nós já tentávamos achar a explicação para tudo a nossa volta, inclusive para a nossa existência. Afinal de contas, por que estamos aqui?

A religião já teve seu tempo, já deu a sua contribuição, e essa não foi satisfatória. Pelo simples fato de serem respostas inventadas, com explicações não fundamentadas em nenhum tipo de evidência. Infelizmente esse era o único meio que nossos ancestrais possuíam para achar respostas, presumir e acreditar. Mas o que mais me consterna é que, talvez pelo fato de termos estado nessa conjectura por tanto tempo, a maioria das pessoas continua a dar crédito à esse tipo de especulação. Dawkins, de uma forma muito elegante, nos elucida a resposta a minha indagação com a sua teoria dos memes¹.

No momento o que possuímos são a filosofia e a ciência para nos explicar por que estamos aqui. E essas tem se mostrado muito mais confiáveis em suas colocações. Uma abordagem interessante é a do Dawinismo², e até então a que melhor explica como chegamos aqui, e que a cada dia que passa vem a ser mais corroborada pelas evidências. Segundo Darwin todos os seres vivos são máquinas de sobrevivência, belamente desenhadas pela Seleção Natural, o nosso relojoeiro cego. Onde o nosso propósito de vida seria a vida em si, mantê-la e passá-la a diante. Até mesmo a nossa grande massa encefálica, tão aclamada por supostamente nos separar do resto dos animais, ou como prefiro dizer, os animais não-humanos, foi projetada pelo relojoeiro cego. Mas seriamos apenas joguetes do campo evolutivo? Acho que não.

Esse mesmo cérebro projetado pela seleção natural foi o que nos libertou de nossos genes egoístas. Pois o caminho “escolhido” pela evolução foi o de que não apenas pudéssemos analisar e compreender o mundo a nossa volta, e assim procurarmos a melhor forma de nos adaptarmos a ele, mas também de alterarmos o universo ao nosso alcance, e adaptá-lo à nós. Basta olhar o mundo a nossa volta, o nosso meio de vida não tem quase mais nada em comum com o meio para o qual fomos projetados. Para tanto, fomos projetados para estabelecermos metas, planejarmos, abrir mão de algo agora por um bem maior no futuro, por isso vemos o mundo através do prisma do propósito, onde tudo tem um propósito³. Aí caímos na falácia de um criador de todas as coisas, onde cada uma teria o seu propósito. Mas a nossa mente continua projetada a pensar dentro do espectro do propósito, e quando o primeiro indivíduo formulou a pergunta “Qual o sentido da vida?”, se presumiu que haveria uma resposta. Talvez não haja, e essa idéia nos assusta, mas ela é viável. Eu duvido que todas as perguntas não tenham respostas, o que eu coloco em questão é, não seria a nossa mente capaz de projetar perguntas as quais não consegue atingir a resposta, pelo menos não com as nossas atuais faculdades mentais?

Sinceramente não tenho uma resposta à nenhuma das duas perguntas, mas como diria o glamouroso final de Monty Phyton – O Sentido da Vida, “Procure amar uns aos outros, viva vem paz com todos de todas as cores, nações e credos. Não coma muita gordura, de vez em quando leia um livro e faça exercícios.”

1 – Dawkins, C. R., O Gene Egoísta (1976). Editora Itatiaia. Download

2 – Darwin, C., On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (1859) Download

3 – Pinker, S., Como a Mente Funciona (1998). Editora Companhia das Letras.


PS.: Estou me sentindo como aquele rinoceronte do Jumanji, que vem por último, todo atrasado. Mas, antes tarde do que nunca.

Amor



Amor
Secos e Molhados

Leve como leve pluma.
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.

Ah, simples e suave coisa.
Suave coisa nenhuma.
Suave coisa nenhuma

Sombra silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Simples e suave coisa.
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece

simples e suave coisa

Dentre muitas formas de abordar está questão, pensei em expor meu entendimento sobre os conceitos propostos por Platão [em "O Banquete", "Lísis" e "Fedro"], será bem introdutório, só para apresentar uma idéia pouco difundida. Além disso poderei desmitificar a idéia errônea que se tem do amor platônico, que é tido comumente como um amor ideal, livre de interesses, um amor impossível.

Platão baseia seu discurso sobre amor na falta. Ama-se algo para superar a falta que se sente dele. O bem de desejo é algo que te falta para te tornar um ser melhor. Pensando nisso, ele subdivide o amor em três formas: Philia, Eros e Agapè.

Philia, seria a enlaçante amizade, o amor entre amigos. Algo que pode ser definido pela fórmula: "É em vista do amigo que o amigo é amigo do amigo”, que pretende resolver a seguinte questão, quem é o amigo? aquele que no caso ama "philiacamente" alguém ou quem é amado? Ou será que ambos?

Enfim, a amizade é a causa e o fim das relações humanas. O homem ao reconhecer sua carência, a sua falta de "amigo", obtém no "bem que lhe falta" algo que o torne bom. Assim, com a amizade a necessidade de algo "bom" é atingida. Ou seja, resumimos a philia como uma busca pela "bondade", ou melhor pelo "bom", que nos falta.

Eros é a procura, desejo e meio para se chegar ao Belo, que ode também ser tido com uma manifestação do "Bem"[Será? não pretendo entrar na discussão de o que é Bem e o que é Mal]. Mas é em Eros que evidenciamos o relacionamento sexual, é o amor romântico onde busca o belo, assim sente-se uma atração física pelo objeto amado. Platão aborda Eros em "O Banquete", tratando principalmente sobre o nascimento de Eros.

Agapè, tem sua forma através do altruísmo, é um amor generoso, amor de doação, tido como incondicional. Onde a falta do objeto de desejo é suplantada por uma total dedicação à esse, mesmo quando esse não corresponde o sentimento. Sente se assim, "felicidade" em ser devoto deste amor.


Com tudo isso, é legal pensar em coisas do tipo: O Agapé é praticável? Se sim, é saudável?

Indo além, e se Platão tivesse lido Dawkins? Dawkins trata o altruísmo como uma artimanha para exercer egoísmo! Paradoxo!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Novo tema...

Como semana passada não atualizei a enquete e a galera continuou votando na anterior...
Escrevamos sobre....

O que é o amor?

Até dia 9/7!

Reflitam, macacos reflitam.

Cultura é o conjunto de fatores que surgiram para solucionar os problemas do macaco-homem quando deparou-se com uma vida em sociedade.
Ou seja, é o resultante de interações de macacos com outros macacos, macacos com um meio [imanente ou transcedente, todos os sabores pensáveis são possíveis] ou melhor de macacos com macacos no meio.

Mas quais foram as quinquilharias que estes primatas evoluídos criaram para melhor se relacionar?
Crenças, costumes, morais, religiões, regras, formas de expressões, geração de conhecimento, arte. Tudo isso para propiciar a tal da convivência social. Será?

Viajando na Maionese: “Se você acha que entende física quântica significa que você não entende nada de física quântica” Richard Feynman.
Gosto da fórmula: Se você acha que entende ... significa que você não entende nada de ... .

Se você acha que entende
memética significa que você não entende nada de memética.


Posso ter não entendido o que o Dawkins fala, isso tudo é a minha interpretação. Critiquem-me!

Clinton Richard Dawkins, propõe em " O Gene Egoísta " que a idéia perigosa de Darwin deve ser reduzida ao unidade básica formadora dos seres vivos, o gene. Ainda nesta obra C. R. Dawkins supõe que além de uma evolução biológica, somos "vítimas" de uma evolução cultural, portanto ele busca uma unidade básica formadora, chegando no conceito de Meme.

O Meme seria uma idéia/um conhecimento/informação que é passado de mente para mente, tendo a capacidade assim de replicar-se e/ou multiplicar-se.

Assim a cultura de uma sociedade é definida através de seleção cul[nat]tural. A Cultura atual corresponde ao estágio atual de evolução.
A teoria é muito ampla, abrange mutações de idéias, idéias parasitas, análogas à vírus, não conseguirei expor completamente toda a memética. Portanto darei um exemplo de como ela explica um componente cultural muito importante. Deus.

Você notará um dialogo gigantesco com conceitos de genética e evolucionismo.

Não se sabe a razão, mas em algum momento da evolução da humanidade alguém teve uma idéia que talvez alguém sobrenatural poderia ser a resposta para tudo o que até então era desconhecido.
Ou seja, não se sabe como esta idéia surgiu "fundo" memético?
Quem sabe uma mutação? Não sabemos.
Sabemos que ela conseguiu replicar-se, através da linguagem, tanto escrita, bíblia, Corão.. quanto falada, sermões, na arte, música e etc.
Como ela sobreviveu e sobrevive por tanto tempo? Qual o seu valor de sobrevivência?
O meme para Deus, conseguiu "replicar-se" tanto no “fundo” devido ao seu apelo psicológica. Dando uma resposta fácil para as perguntas adventas da finitude da vida humana. Promete uma salvação extra-terrena, uma promessa de recompensa para quem for "bom" e punição para os "pecadores". Promete uma imortalidade, imortalidade em contrapartida à todas as aflições que a morte traz.
Deus existe portanto como um vírus mental, parasitando o cérebro e replicando-se em cérebros alheios.

No mínimo curioso, não?

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Cultura

Bom, em primeiro lugar, desculpa por não postar no último tema. Enfim..

Cultura. Não adianta eu gastar o tempo de vocês tentando dizer o que é cultura, porque todo mundo tem alguma idéia, e bem ou mal a definicão do termo é justamente aquilo que a maioria das pessoas concordam em ser o seu significado (mas isso é uma outra história pra uma outra conversa).

Ao invés disso, vamos pensar no seguinte: Cultura realmente existe? E mais, cultura realmente merece ser "defendida"? A resposta fácil para a primeira pergunta é: Sim, claro que existe. As pessoas compõem música, dirigem filmes, pintam quadros, jogam jogos, dancam dancas, etc. etc. etc. . Ok, mas isto não foi exatamente a minha pergunta. Cultura existe, como alguma coisa independente às pessoas?

Existem duas linhas de pensamento bastante opostas nesse sentido, e as duas são meio ingênuas, justamente por serem tão diametralmente opostas: Temos, por um lado, os behavioristas, que morrem antes de admitir que sequer existe alguma coisa parecida com cultura. Para eles, todo o comportamento humano (e de outros animais em geral) se resume a uma seqüência maravilhosamente complexa de estímulos sensitivos. Obviamente, isso não é capaz de explicar toda a gama das experiências humanas, então não nos serve como modelo. Do outro lado, existem os relativistas, que colocam todo o peso de explicar como as pessoas funcionam nessa entidade gigante, a "cultura". Isto também não funciona, porque se a gente parar pra pensar, a "cultura" não é uma pessoa; a cultura em si não sente nada, e o conceito de "defender" uma cultura não faz o menor sentido, for the sake de defendê-la em si.

Ficar extremamente alinhado a qualquer um desses dois lados não serve para nada, na realidade, por que, de novo, não explica aceitavelmente o comportamento humano. Uma posicão interessante, por outro lado, é tentar considerar um meio-termo: Quem sabe cultura é o conjunto de coisas que as pessoas fazem em comum; é as regras que as pessoas, de um modo geral, concordam em seguir para conseguir viver em uma sociedade, e tolerar umas às outras. Ela deve ser defendida, então, tão somente até manter essas regras ajuda as pessoas de um modo geral. Isso serve pra nos mostrar que (aqui uma posicão potencialmente radical) nem todas as culturas do mundo são iguais, e, ta-daa, nem todas devem ser respeitadas igualmente. Culturas que defendem o sacrifício humano, que oficializam machismo ou a união da religião com o estado, que legalizam violência, ou que de um modo geral prejudicam a felicidade das pessoas em geral submetidas a elas não devem ser tratadas de forma neutra. Existem costumes que säo considerados ruins, como canibalismo ou esses que eu já citei, e fazem parte da "cultura" de alguns povos; entretanto, esses costumes são considerados ruins por um motivo muito bom! Não é uma questão de chauvinismo ocidental, mas sim uma questão de evitar sofrimento humano, porque nós devemos sempre nos lembrar de que no final do dia, não é uma cultura que sofre se ela for erradicada. Quem "sofre" quando uma cultura termina ou é ofendida são as pessoas que vivem submetidas à cultura. Se esta cultura for libertária, e proporcionar bem estar e felicidade à sociedade que vive sob ela, realmente desrespeitá-la é uma atrocidade a ser evitada. Agora, se estamos falando de apedrejar mulheres, segregar estrangeiros ou maltratar criancas, não devemos "preservar" a cultura como um bem intangível da humanidade só porque ela existe, até porque ela na verdade não existe, pelo menos não como uma entidade que vive e toma decisões independetemente das pessoas que a constrói.

cultura....

eh um assunto muito amplo...
cultura.. pra mim cultura é uma espécie vegetal que se planta e se cultiva em plantações, porém pelo que fica impresso nas entrelinha e no escrito de meu chará estão se referind a cultura popular.. akela cultura do povo assim...
akela cultura constituida por uma massa populacional que agrega os pincipais costumes de uma população que no caso de nosso país é digamos assim diversificado para n dizer outra coisa discriminativa...
porém não vou poder escrever minha opinião sem falar mal de alguns, então peço desculpas desde já, mas é apenas minha opinião, nada contra ninguém...
mas cultura no caso brasileiro eh pega as merda do mundo intero, junta num lugar só e bate no liquidificador.... e nem c pod imagina o que sai....
branco crendo em iemanja....
preto crendo em um único deus....
n é discriminação, pelo contrário, mas levando cada raça as suas orignes, isso nunca seria possível, é a realidade nua e crua... o brsil, em sí ser habitado por pessoas decendentes de europeus já eh uma coisa contra a natureza... n sei c estou sendo bem claro...
eu tbem sou decendente de europeus, n se enganem, porém eu axo que o continenete americano, em especial a américa do sul, para não dizer o brasil é uma coisa, n um país, porque, n tem uma única cultura, uma linha d pensamento,é uma mistura d tudo um poucop, o que faz com que em n unhuma parte do país haja um amor a pátria... não há uma linha d pensamento comum, não há uma cultura em comum...
posso até ter me desviado um pouco do assunto, peço desculpas, mas se for o caso minha definição de cultura está expressa no primeiro parágrafo, mas aproveitei esse tópico pra desabafar minha indignação quanto aformação desse país que não eh definivamente não eh uma nãção que é o brasil.....................

quarta-feira, 27 de junho de 2007

O ECCEOMO, ESSE ANIMAL CULTURAL



(e danem-se os agás, preciosistas de meia-pataca!)






Os ecceomos eram, sem dúvida alguma, um tipo singular de animal, dentre tantos os que povoavam os desertos de Kubrickland.

A maioria das espécies que lá viviam ocupavam dois terços do seu dia procurando comida. O outro terço era preenchido pela fuga e/ou enfrentamento com predadores e o terço final era prazerosa ou desprazerosamente ocupado pelas atividades de procriação (e o fato de o seu dia possuir quatro terços não é nenhum absurdo se levarmos em conta que o excesso de atividades de sobrevivência não dava a esses pobres animais tempo livre suficiente para desenvolver uma Matemática).

Os ecceomos, depois de uns bons anos de Evolução, não precisavam mais gastar tanto tempo com a manutenção da própria sobrevivência, pois alguns dos mais inventivos representantes da espécie tiveram um dia (ao som de Strauss) a bela idéia de usar paus e pedras e ossos para bater em outros animais até que eles tombassem e pudessem ser esquartejados para virar alimento.

Os paus e pedras e ossos também foram de grande serventia para espantar os predadores e para resolver os litígios causados pelas necessidade de acasalamento, e tudo isso deu ao ecceomo médio muito tempo livre para pensar em outras coisas - como, por exemplo, deixar os paus e pedras e ossos cada vez mais afiados.

Com o uso dos paus e pedras e ossos para matar outros animais e outros ecceomos, o ecceomo deixou de ser um animal normal para ser um animal cultural. O ecceomo criou a cultura e a cultura criou o ecceomo. O enorme tempo livre e o sentimento de invencibilidade permitiram que ele se espalhasse por outras terras, criando ferramentas cada vez mais sofisticadas, desenvolvendo idéias, teorias e conceitos cada vez mais abstratos, pintando nas paredes das cavernas e catedrais figuras cada vez mais estranhas, desintegrando o átomo e criando blogues engraçadinhos pra pensar questões alheias aos outros animais.

O ecceomo está impregnado de cultura. Quando um filhote dessa espécie nasce, ele é mergulhado nesse caldo (o caldo cultural) e passa a beber e nadar e produzir bolhas nessa piscina de cultura. Tudo que ele vive e sonha e imagina e inventa e constrói e destrói acaba agregando mais e mais cultura a essa cultura. É cultura se reproduzindo e se modificando e criando mais cultura, que é sempre a mesma cultura apesar de ser sempre uma nova cultura.

É isso que faz dessa espécie animal uma espécie tão admirável e tão detestável.

O ecceomo criou a cultura. E a cultura criou o homem.

E no final, o Dave Bowman voltou a ser um bebê e a platéia nada entendeu, apesar de a resposta ser tão simples.
 

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